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Paraná

11/03/2020 | Concebido por Goioerê

Audiência discute formas de conservação e estímulo ao plantio de Araucárias no Paraná

Audiência discute formas de conservação e estímulo ao plantio de Araucárias no Paraná

Discutir a necessidade de conservação de áreas florestais remanescentes de araucárias e a elaboração de políticas públicas para o estímulo ao plantio e apoio ao produtor foi o tema de um debate promovido pela Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais da Assembleia Legislativa do Paraná nesta terça-feira, 10. No centro do debate, o projeto de Lei 495/2019, do primeiro secretário da Assembleia, deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB), com a coautoria dos deputados Hussein Bakri (PSD) e Emerson Bacil (PSL). O projeto estabelece regras de estímulo, plantio e exploração da atividade da Araucária Angustifóli no Estado.  

Discussões em torno da preservação e exploração da araucária sempre são alvo de tensões. Na audiência pública "Conservação das Florestas de Araucárias", proposta pela Comissão presidida pelo deputado Goura (PDT), não foi diferente.  Uma das espécies mais estudadas do mundo, a araucária está em perigo de extinção. O corte da árvore é proibido desde 2006 no Paraná. No entanto, a proibição não impediu que a mata nativa tenha diminuído desde então.

De acordo com estudos apresentados pela professora do Departamento de Botânica da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcia Cristina Mendes Marques, as áreas remanescentes em 2009 chegavam em 12% das florestas originais. Menos de 10 anos depois, em 2018, o número se resumia a 6,5%. No Paraná, em 2004, o número chegava a 30% de florestas, mas com apenas 0,8 de mata original. "É um sistema vulnerável e ameaçado. As florestas de araucárias são as mais ameaçadas do mundo", afirmou ela.

O diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Clóvis Borges, concordou. "Não foi a proibição do corte, como se divulga, que levou ao estágio de extinção. Não existe realmente nenhum tipo de preservação", disse. "Nenhum ambientalista é contra o plantio, mas o plantio não representa conservação", completou.

O autor do projeto, deputado Romanelli, tranquilizou os participantes. Ele garantiu que o objetivo da proposta é justamente colaborar com a preservação da espécie aliando a isso a possibilidade de exploração. "Este projeto nasceu da visão de se conseguir realizar a produção do pinhão como fonte de renda para o produtor. Ao mesmo tempo, o plantio de novos pinheiros diminui a pressão sobre as áreas remanescentes de florestas", explicou.

O parlamentar lembrou que a matéria trata especificamente do aproveitamento da araucária em seu potencial econômico. "Nosso objetivo é aprovar um projeto com menos interferência. Não podemos perder o foco. Queremos aprovar uma lei correta que represente um avanço. Neste momento, não vamos tratar do manejo da araucária", garantiu Romanelli.

Para a doutora Yeda Maria Malheiros de Oliveira, representante do Departamento de Pesquisa da Embrapa Florestas, qualquer decisão precisa da consulta de especialistas. "O manejo florestal é algo sério", alertou. O doutor Ricardo Miranda de Britez, da Universidade Federal do Paraná, também chamou a atenção para a necessidade de preservação. "Já tivemos muitas perdas. Se não fizermos algo agora, teremos grandes prejuízos no futuro".  

A audiência contou ainda com a participação dos deputados Evandro Araújo (PSC) e Delegado Recalcatti (PSD), do professor da UFPR, Flávio Zanetti, especialista em araucárias, e do engenheiro florestal Sandor Sohn, do Instituto Agua e Terra e representante da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável e Turismo.

 

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Fonte: GOIOERÊ | CIDADE PORTAL | Assembleia Legislativa do Paraná

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